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Posts Tagged ‘livro’

Querido John

Por Luiza Mendonça

John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried)

           Aqui estou eu com os olhos inchados de tanto chorar. Não, este não vai ser um post melancólico. O que acontece é que acabei de voltar do cinema. O filme? Querido John. Para quem gosta de filmes no maior e melhor estilo “água com açúcar”, eu recomendo. O filme é baseado no livro (de mesmo nome) do escritor Nicholas Sparks, que escreveu também Diário de uma Paixão e Um Amor para Recordar. Quem nunca assistiu os dois últimos não sabe o que está perdendo e quem já assistiu, agora entende o porquê das minhas lágrimas.

          O filme, que estreou dia 7 de maio aqui no Brasil, conta a história de John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried), um casal de jovens que se relaciona há sete anos e é separado pelas missões perigosas de John. Apesar de se encontrarem apenas de vez em quando, eles mantêm o contato por meio de várias cartas de amor. O desfecho do filme se dá quando essas correspondências acabam provocando uma situação com consequências desastrosas.

          Tudo acontece quando, durante suas férias escolares, Savannah conhece John, um soldado do Exército. Em duas semanas os dois já estão apaixonados, mas depois do atentado de 11 de setembro nos EUA, John precisa ficar muito tempo afastado.

          Ao sair do cinema, além de ficar com muita vontade de ler o livro, fiquei também com a sensação de que hoje em dia, mesmo com o avanço da tecnologia (e-mail, redes sociais, mensagens SMS, etc.) e a facilidade, rapidez e praticidade da comunicação, nada tira o romantismo de uma carta escrita.

          O objetivo de Nicholas Sparks ao escrever o livro era tocar os corações de seus espectadores por meio do romantismo extremo e totalmente voltado para o público feminino. Bom, pela minha reação e a de quase todas as outras mulheres do cinema, ele conseguiu!

 

* Para saber um pouco mais, acesse o site oficial do filme: http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/queridojohn/

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Anti-sexismo

Larissa Zanata / @lariviviani

Maria Antônia lotada. Noite, calor. Eu e um amigo resolvemos nos sentar na frente do Mac-fil para tomar uma cerveja. Conversa vem, conversa vai. No meio de uma discussão sobre preconceitos, meu amigo afirma: “A verdade é: se fossem os homens quem ficassem grávidos, o aborto já teria sido legalizado aqui”. Não gosto de vestir a camiseta do feminismo, mas vivemos num mundo machista. O país nem se fala. A afirmação dele me intrigou. Concordei acrescentando que em outros lugares o machismo era só mais mascarado e que ele ainda é levado, na maioria das vezes, na brincadeira.


Ele então saca um livro de sua mochila. “Você já leu Eduardo Galeano? Você ia amar”.  O livro que ele segurava em mãos, Veias Abertas da América Latina, fala da situação socioeconômica na America Latina. O trecho que ele leu em voz alta dizia algo sobre a prostituição infantil na América Latina. O modo como o autor descrevia a cena me deixou perplexa. Sem meias voltas, sem romantizar, ele descreve friamente cenas as quais fechamos os olhos e viramos a cara. Eduardo Galeano nos joga elas na face e parece afirmar, calmamente: “Isso aqui acontece todos os dias, debaixo do seu nariz e você sabe e você não faz nada”.

Alguns meses depois, ano novo, ganho um presente. Ao chegar de viagem, alguém-especial chegou com um livro em mãos. Apesar de ele sempre me presentear com livros, fiquei surpresa. “Pra você não falar que eu sou machista e te mostrar o quanto eu me importo com as mulheres”. Ele, então, me entrega Mulheres, um livro que reuni textos do excelentíssimo Galeano (foi ele mesmo quem os selecionou) que falam de nós, mulheres.


E mais uma vez Galeano me chocou, me arrepiou, me emocionou, me fez rir. Seja descrevendo as escravas no tempo da monarquia, seja falando de amor durante a ditadura uruguaia, seja contando as histórias de mulheres esquecidas, anônimas. Deixo aqui um dos textos, não porque gostei mais desse – muito difícil escolher –  mas porque ele ganhou na sorte do “vire as páginas e publique o texto no qual parar”.

Delmira
A este quarto ela foi chamada pelo homem que tinha sido seu marido; e querendo tê-la, ele amou-a e matou-a e se matou.
Os jornais uruguaios de 1914 publicam a foto do corpo que jaz tombado junto à cama, Delmira abatida por dois tiros de revólver, nua como seus poemas, as meias caídas, toda despida de vermelho:
– Vamos mais longe na noite, vamos…
Delmira Agustini escrevia em transe. Tinha cantado as febres do amor sem disfarces pacatos, e tinha sido condenada pelos que castigam as mulheres o que nos homens aplaudem, porque castidade é dever feminino, e o desejo, como a razão, um privilégio masculino. No Uruguai, as leis caminham na frente das pessoas, que ainda separam a alma do corpo como se fossem a Bela e a Fera. De maneira que perante o cadáver de Delmira se derramam lágrimas e frases a propósito de tão sensível perda para as letras nacionais, mas no fundo os chorosos suspiram com alívio – a morta morta está, e é melhor assim.
Mas, morta está? Não serão sombra de sua voz e eco de seu corpo todos os amantes que ardem nas noites do mundo? Não lhe abrirão um lugarzinho nas noites do mundo para que cante sua boca desatada e dancem seus pés resplandecentes?

Ouvi esses dias a Marcia Tiburi dizer algo mais ou menos assim: “Hoje, nós temos sorte só de poder falar em feminismo”.

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Larissa Zanata

Alice's Adventures Under Ground, capa da versão original de "Alice"

O livro de Lewis Carroll Alice’s Adventures Under Ground (1865), versão original do velho conhecido Alice no País das Maravilhas, tem diversas edições, versões, continuações. A história infantil atemporal, é uma fábula cheia de metáforas; simplesmente deliciosa de ler. Em casa tenho uma versão pocket e devorei o livro. É o tipo de história que amaria ler para meus sobrinhos e que, sinceramente, te leva para um mundo paralelo – seja atrás de um espelho ou ao cair na toca de algum coelho.

Agora,  a versão original de Alice (escrita à mão e ilustrada por Carroll) foi disponibilizada pela British Library. Vale a pena conferir a beleza da escrita e dos traços do escritor. No começo disse que a história era infantil, mas não se deixe enganar, o livro traz em suas fantasias delirantes todos os tipos de questionamento: psicológicos, lógicos, políticos…

Já a versão cinematográfica parece que não vai deixar por menos (estreiará em terras tupiniquins dia 21/04, não mais 23 – viva Tirandentes!) e já me deixa salivando ao assistir os trailers. Acredito que Tim Burton não vai nos decepcionar ao contar essa história que já mexeu com a imaginação de tanta gente.

Alice, que a fábula conte

Teu roteiro gigante

Como um sonho, ou o horizonte

Registrado no instante.

Que seja coroada tua fronte

Numa terra distante.

Update: encontrei trechos do primeiro filme Alice in Wonderland, de 1903. Muito linda a simplicidade:

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